Inspeção de motorhome usado antes da compra

Motorhome usado: o que verificar antes de comprar

Comprar um motorhome usado exige um tipo de atenção diferente daquela que normalmente temos ao comprar um carro. Isso porque não estamos levando para casa apenas um veículo. Estamos comprando, ao mesmo tempo, um veículo e uma casa sobre rodas.

De um lado estão motor, câmbio, freios, suspensão, pneus e chassi. Do outro, instalações elétricas, energia solar, hidráulica, gás, geladeira, ar-condicionado, móveis, janelas e dezenas de conexões escondidas atrás de revestimentos e armários.

É justamente aí que mora boa parte do risco.

Um motorhome pode estar bonito, limpo e aparentemente muito bem conservado e ainda esconder problemas que você dificilmente perceberá em uma visita de meia hora.

Nós mesmos já passamos por situações assim em nossos trailers.

Problemas de elétrica apareceram quando resolvemos substituir uma bateria de chumbo por uma de lítio. O que parecia uma simples modernização revelou cabos mal dimensionados, conexões feitas de forma grosseira e uma instalação difícil até de entender.

Em outra ocasião, uma simples falha em uma lanterna nos levou a descobrir um chicote instalado de qualquer jeito sob o trailer, com fios expostos, deteriorados e ligações difíceis de identificar.

Essas experiências nos ensinaram uma coisa importante: nem tudo o que precisa ser verificado antes de comprar um motorhome está visível.

Por isso, uma boa inspeção pré-compra precisa ser organizada e, sempre que possível, contar com profissionais que realmente conheçam esse tipo de veículo.

A seguir, reunimos os principais pontos que vale verificar.

Antes de visitar o motorhome, comece pelos documentos

Pessoa verificando documentos do motohome

Antes mesmo de perder tempo viajando para conhecer um veículo, vale pedir algumas informações ao vendedor.

Solicite uma foto legível do CRLV-e e confira os dados básicos do veículo: placa, Renavam, chassi, proprietário, marca/modelo, espécie, carroceria, lotação, PBT e eventuais observações.

No caso de um motorhome transformado, é especialmente importante verificar se aquilo que existe fisicamente corresponde ao que está registrado.

A regulamentação brasileira prevê procedimentos específicos para modificações de veículos, envolvendo, conforme o caso, autorização do órgão de trânsito, inspeção, Certificado de Segurança Veicular (CSV), documentação da transformação e atualização do CRLV-e.

Isso não significa que um motorhome artesanal seja necessariamente irregular. Existem excelentes conversões artesanais.

O problema aparece quando o veículo foi modificado, reformado ou ampliado ao longo dos anos e ninguém consegue explicar exatamente o que foi feito, quem executou o serviço ou quais documentos acompanharam essas alterações.

Quanto mais informações existirem sobre a construção e as reformas, melhor.

Vale pedir, quando disponíveis:

  • CRLV-e;
  • CSV;
  • CAT, quando aplicável;
  • notas fiscais da transformação;
  • manuais dos equipamentos;
  • diagramas elétricos e hidráulicos;
  • notas fiscais de reformas;
  • histórico de manutenção;
  • documentos de instalação de equipamentos importantes.

Também consulte eventuais restrições e recalls nas bases oficiais.

Um detalhe importante: vistoria para transferência não é a mesma coisa que inspeção pré-compra.

O veículo ser aprovado para transferência não significa que motor, câmbio, estrutura, elétrica, hidráulica ou equipamentos estejam em boas condições. São avaliações com finalidades diferentes.

Confira se sua CNH é adequada para aquele motorhome

Esse é outro ponto que costuma gerar confusão.

O Código de Trânsito Brasileiro possui uma regra específica para motor-casa na categoria B. Ela não deve ser confundida simplesmente com o conhecido limite geral de 3.500 kg aplicado a outros veículos.

Segundo o levantamento feito para este artigo, a categoria B permite a condução de motor-casa cujo peso não exceda 6.000 kg ou cuja lotação não exceda oito lugares, excluído o motorista.

Antes da compra, portanto, confira os dados do documento do veículo e verifique se eles são compatíveis com sua habilitação.

E atenção: quantidade de camas não significa quantidade de passageiros autorizados.

O que vale para transporte de pessoas é a lotação legalmente registrada e as posições de assento previstas para viagem.

Não olhe apenas a quilometragem

É fácil se impressionar com um motorhome antigo que rodou pouco.

Mas baixa quilometragem não significa automaticamente bom estado.

Motorhomes costumam passar longos períodos estacionados. Isso pode significar pouco desgaste por rodagem, mas também pode provocar envelhecimento de pneus, ressecamento de vedações, degradação de baterias e problemas em sistemas que ficaram muito tempo sem funcionar.

Por isso, tente confrontar a quilometragem com outros indícios: histórico de manutenção, notas fiscais, revisões, desgaste do volante, pedais, bancos e principalmente coerência das datas registradas ao longo da vida do veículo.

Se possível, peça para ver o motorhome com o motor frio. Uma partida a frio pode revelar comportamentos que desaparecem quando o veículo já foi previamente aquecido.

Observe ruídos anormais, fumaça, vazamentos, luzes no painel e funcionamento irregular.

Faça uma avaliação mecânica completa

O motorhome continua sendo um veículo e toda a parte mecânica precisa ser examinada como tal.

Entre os itens que merecem atenção estão: motor, câmbio, sistema de arrefecimento, freios, direção, suspensão, rolamentos, escapamento e chassi.

Também é importante verificar os pontos onde a carroceria ou a parte da casa está fixada ao chassi do veículo.

Procure sinais de corrosão, reparos estruturais, soldas suspeitas ou indícios de colisões anteriores.

Nos pneus, não olhe apenas os sulcos. Motorhomes podem rodar poucos quilômetros por ano e permanecer muito tempo parados. Um pneu ainda pode ter bastante borracha e, mesmo assim, estar envelhecido. Confira a data de fabricação e faça o mesmo com o estepe.

A pesquisa utilizada neste artigo encontrou checklists internacionais de inspeção de motorhomes que incluem justamente vazamentos, fixações, corrosão de chassi, direção, suspensão, rolamentos, sistema de combustível e freios. Essas referências ajudam a montar uma inspeção abrangente, embora não devam ser tratadas como normas brasileiras.

Infiltração merece atenção especial

Verificação de infiltração e vedação no teto de motorhome

Se tivéssemos que destacar um problema que merece ser procurado com muito cuidado, seria a entrada de água. Um motorhome tem dezenas de pontos potenciais de infiltração: teto, claraboias, janelas, portas, antenas, passagens de cabos, placas solares, emendas da carroceria, cantos, compartimentos externos e junções entre diferentes materiais.

E infiltração nem sempre aparece como uma enorme mancha no teto.

Procure por:

  • cheiro de mofo;
  • manchas discretas;
  • revestimento estufado;
  • parede ondulada;
  • piso amolecido;
  • descolamento de painéis;
  • madeira escurecida;
  • ferragens oxidadas;
  • selante (PU) aparentemente muito recente apenas em determinadas áreas.

Uma reforma estética recente também merece atenção. Não porque seja necessariamente algo ruim, mas porque pintura e revestimentos novos podem esconder sinais antigos.

Quando possível, a inspeção pode ser complementada por instrumento apropriado para medição de umidade. Mas não existe um único valor mágico que determine se há infiltração: materiais e técnicas construtivas diferentes exigem interpretação adequada.

Nossa experiência reforçou bastante essa preocupação. Em dois trailers tivemos que refazer a calafetação do teto. Em um deles, percebemos o problema da pior maneira possível: começou a entrar água pela luminária localizada sobre a cama e a água passou a pingar justamente ali.

Hoje encaramos a vedação do teto como item de manutenção periódica. Selantes como PU envelhecem e precisam ser inspecionados regularmente. Esperar aparecer água dentro do veículo é esperar demais.

Teste a instalação elétrica de verdade

Essa é provavelmente uma das áreas mais difíceis para quem não entende de elétrica.

Abrir um armário e encontrar uma bateria, um inversor e alguns disjuntores não diz muita coisa sobre a qualidade da instalação. O problema é que grande parte da fiação fica escondida.

E foi exatamente isso que descobrimos em nosso próprio trailer quando começamos a mexer no sistema elétrico.

Por isso, se o motorhome tem um sistema relativamente complexo, vale muito a pena ter alguém que conheça elétrica automotiva ou sistemas elétricos de RVs acompanhando a avaliação.

Verifique, conforme os equipamentos existentes:

  • bateria ou banco de baterias;
  • carregador de baterias;
  • ligação com o alternador ou carregador DC-DC;
  • painéis solares;
  • controlador de carga;
  • inversor;
  • fusíveis;
  • disjuntores;
  • bitola dos cabos;
  • terminais e conexões;
  • fixação das baterias;
  • ventilação dos equipamentos;
  • identificação da fiação.

Não basta perguntar: “Está funcionando?”

Peça para funcionar. Ligue os equipamentos. Observe o comportamento com carga.

Um sistema pode aparentar normalidade sem consumo e apresentar queda de tensão, aquecimento ou desligamentos quando realmente é exigido.

Relatos e reclamações de proprietários frequentemente apontam exatamente esse problema: equipamentos que “ligam”, mas falham quando submetidos à carga e instalações modificadas sem manuais ou qualquer identificação são situações que merecem atenção.

Teste a entrada de energia externa

Se o motorhome aceita alimentação externa, descubra exatamente como ela funciona.

É 127 V?

220 V?

Bivolt automático?

Existe transformador?

Alguns equipamentos deixam de funcionar dependendo da tensão de entrada?

O carregador de baterias funciona nas duas tensões?

As tomadas internas continuam funcionando?

O inversor interfere no sistema?

Faça essas perguntas e se possível, teste as configurações disponíveis.

Foi justamente em uma situação desse tipo que descobrimos que nosso trailer não possuía uma funcionalidade que havia sido informada na venda. Não era necessariamente um defeito do trailer. O problema era termos comprado acreditando que existia uma característica que na prática, não existia. É uma diferença importante.

Antes da compra, não verifique apenas se alguma coisa funciona. Verifique se ela funciona da maneira como está sendo anunciada.

Verifique todo o sistema hidráulico

A parte hidráulica também precisa ser testada com água no sistema.

Ligue a bomba.

Abra torneiras.

Use o chuveiro.

Acione o vaso sanitário.

Teste o aquecedor, se houver.

Procure vazamentos dentro de armários e compartimentos.

Observe mangueiras, conexões e registros.

Confira também as caixas de água limpa, água servida e detritos, conforme a configuração do veículo.

Indicadores de nível também merecem teste, porque sensores podem apresentar leituras incorretas.

Se houver possibilidade, deixe o sistema funcionando durante algum tempo. Pequenos vazamentos nem sempre aparecem imediatamente.

Gás não é lugar para improvisação

No sistema de GLP, verifique visualmente o compartimento dos botijões, fixação, ventilação, regulador, mangueiras ou tubulações, registros e condições aparentes dos componentes.

Mas não faça testes improvisados para procurar vazamentos.

A orientação utilizada na pesquisa para este artigo é verificar certificação e validade dos componentes e recorrer a assistência técnica diante de suspeita de vazamento.

Se houver qualquer dúvida sobre segurança, coloque a inspeção do sistema de gás como condição para fechar o negócio.

Economizar justamente nessa avaliação não faz sentido.

Ligue todos os equipamentos

Geladeira, ar-condicionado, aquecedor, exaustores, televisão, micro-ondas, gerador e qualquer outro equipamento incluído na negociação devem ser testados.

E novamente vale a mesma regra: ligar não é testar.

Uma geladeira pode acender normalmente e não refrigerar adequadamente.

Um ar-condicionado pode iniciar e desligar depois.

Um inversor pode funcionar com uma carga pequena e entrar em proteção quando recebe uma carga maior.

Se a geladeira possui mais de uma fonte de alimentação, teste os modos disponíveis.

Também teste tudo que se movimenta: toldo, degrau, niveladores, extensões laterais, claraboias, portas, janelas, travas e mecanismos.

A lista de equipamentos e sistemas que merecem demonstração completa antes da compra é extensa justamente porque falhas superficiais nem sempre aparecem em testes rápidos.

Faça um teste de rodagem

Não compre um motorhome sem dirigir o veículo, salvo uma situação absolutamente excepcional.

Durante o teste, tente reproduzir situações diferentes. Observe aceleração, troca de marchas, frenagem, direção, ruídos internos, vibrações e comportamento da suspensão. Se possível, passe por piso irregular e faça trajetos com curvas e subida.

Motorhomes possuem carrocerias grandes e pesadas. Ruídos, torções e movimentações internas que não aparecem com o veículo parado podem surgir rapidamente durante a rodagem.

Depois do teste, faça nova inspeção visual.

Às vezes um vazamento, cheiro ou aquecimento aparece somente depois que o conjunto trabalhou.

Descubra quanto o motorhome realmente pesa

Este é um ponto muito menos glamouroso do que falar de geladeira, cama ou placa solar, mas pode ser mais importante do que todos eles.

O veículo possui um limite de peso.

E é fácil esquecer que, depois da fabricação, muita coisa pode ser acrescentada: baterias extras, placas solares, toldo, bagageiros, gerador, tanques maiores, ar-condicionado, móveis, equipamentos e acessórios.

Depois vêm passageiros, combustível, água, gás, roupas, alimentos, ferramentas e bagagem.

Por isso, quando houver dúvida, vale pesar o motorhome em condição próxima daquela em que ele realmente viajará e comparar o resultado com os limites registrados.

Idealmente, também se verifica a distribuição por eixo.

O PBT não é apenas um número burocrático no documento. Ele precisa fazer sentido na utilização real do veículo.

Um mecânico comum é suficiente?

Para a parte automotiva, um bom mecânico pode ser fundamental.

Mas existe um problema: a inspeção mecânica pode terminar exatamente onde começam os sistemas da casa.

Elétrica auxiliar, gás, caixas d’água, infiltração, inversor, baterias e energia solar podem simplesmente não fazer parte do serviço contratado.

Da mesma forma, alguém especializado na montagem do motorhome pode não avaliar profundamente motor, câmbio, suspensão ou freios.

Por isso, o cenário mais seguro é pensar na compra como duas inspeções: uma do veículo-base e outra da habitação.

Na nossa experiência, há ainda uma dificuldade prática: alguns defeitos são quase impossíveis de perceber para quem não entende do assunto. Quando compramos, não vimos a confusão de fios que descobriríamos anos depois. Não vimos os problemas escondidos no chicote.E dificilmente teríamos visto.

Por isso existe, sim, uma parcela de incerteza na compra de qualquer veículo usado.

Mas quanto melhor a inspeção, menor o espaço deixado para a sorte.

Compra em loja e compra de particular não são a mesma coisa

Também é importante saber de quem você está comprando.

Segundo a orientação do Procon-SP, na compra de veículo usado de um fornecedor existe garantia legal para bem durável e ela não se limita simplesmente a motor e câmbio.

Isso não significa que qualquer defeito que apareça será automaticamente responsabilidade da loja. A natureza do problema, as informações fornecidas na venda e as circunstâncias precisam ser analisadas.

Já uma venda ocasional entre particulares não deve ser tratada automaticamente como uma relação de consumo com as mesmas regras.

Em um veículo caro ou diante de uma divergência relevante, orientação jurídica pode ser recomendável.

Defeitos que podem entrar na negociação

Nem todo problema encontrado significa que você precisa desistir do motorhome. Dependendo do preço e das condições gerais, alguns defeitos podem simplesmente entrar na negociação.

E isso inclui a possibilidade de o comprador optar por seguir com a compra mesmo diante de problemas, desde que tenha plena ciência do que está assumindo, de preferência com tudo bem identificado, estimado e registrado.

O fundamental é saber qual é o problema e quanto custa resolvê-lo.

Por exemplo: pneus próximos da troca, uma bateria no final da vida útil, um eletrodoméstico defeituoso, necessidade de renovar selantes ou manutenção que tenha custo claramente estimável.

Se um ar-condicionado precisa ser substituído e isso está claro para comprador e vendedor, você consegue tomar uma decisão racional.

Muito diferente é encontrar uma instalação elétrica inteira que ninguém consegue explicar.

Quando vale considerar desistir da compra

Algumas situações merecem muito mais cautela.

Entre elas:

  • documentação incompatível com o veículo;
  • modificações importantes cuja origem ninguém consegue explicar;
  • danos estruturais relevantes;
  • sinais de infiltração extensa;
  • piso comprometido;
  • problemas graves de chassi;
  • situação insegura no sistema de gás;
  • peso incompatível com os limites do veículo;
  • vendedor que se recusa a permitir uma inspeção independente.

Nenhuma dessas situações significa obrigatoriamente que o motorhome seja irrecuperável.

A questão é outra.

Você precisa saber exatamente o tamanho do problema que está comprando.

Se isso não pode ser determinado, o risco começa a ficar grande demais.

Checklist para comprar um motorhome usado

Checklist antes de comprar motorhome usado

Antes da visita:

  • confira CRLV-e e dados do proprietário;
  • consulte restrições e recall;
  • peça histórico de manutenção;
  • solicite documentação da transformação;
  • pergunte sobre reformas e modificações;
  • peça manuais e notas dos equipamentos;
  • confirme PBT e lotação.

Com o motorhome parado:

  • procure infiltrações;
  • examine teto e vedações;
  • verifique piso e paredes;
  • teste elétrica;
  • teste alimentação externa;
  • teste bateria, carregador, inversor e solar;
  • teste hidráulica;
  • examine o sistema de gás;
  • ligue geladeira e eletrodomésticos;
  • teste ar-condicionado;
  • abra janelas e claraboias;
  • opere toldo, degrau e partes móveis;
  • verifique pneus e estepe;
  • procure vazamentos mecânicos;
  • examine chassi e estrutura.

Durante o teste de rodagem:

  • observe motor e câmbio;
  • teste frenagem;
  • observe direção;
  • escute ruídos;
  • perceba vibrações;
  • avalie suspensão;
  • observe comportamento em curvas e pisos irregulares;
  • fique atento às luzes de advertência.

Antes de pagar:

  • faça inspeção mecânica independente;
  • avalie a parte da casa;
  • levante custos dos defeitos encontrados;
  • confira novamente os documentos;
  • confirme as características anunciadas;
  • avalie o peso real do conjunto;
  • registre por escrito aquilo que fizer parte da negociação.
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A melhor compra não é necessariamente o motorhome sem defeitos

Um motorhome usado dificilmente será perfeito. E procurar perfeição pode até fazer você perder um bom negócio.

O objetivo da inspeção não é encontrar um veículo sem nenhum problema. É descobrir quais problemas existem antes que eles sejam seus.

Uma bateria velha pode ser substituída.

Um pneu pode entrar na negociação.

Um equipamento defeituoso pode ter seu custo calculado.

O verdadeiro risco está nos problemas que ninguém consegue dimensionar: infiltrações escondidas, estrutura comprometida, instalação elétrica improvisada, documentação incompatível ou modificações cuja origem ninguém sabe explicar.

Depois de alguns anos convivendo com trailers, aprendemos também que até veículos bem construídos precisam de manutenção constante.

Vedação envelhece. Equipamentos apresentam defeitos. Conexões precisam ser revistas. Sistemas são modificados ao longo do tempo.

Por isso, ao comprar um motorhome usado, não escolha apenas pelo acabamento bonito ou pela lista de equipamentos.

Abra armários.

Olhe embaixo.

Peça para ligar.

Pergunte quem instalou.

Peça documentos.

Faça o teste de rodagem.

E principalmente, não tenha vergonha de levar alguém que entende mais do que você.

O valor de uma boa inspeção antes da compra costuma ser pequeno perto do custo e da dor de cabeça de descobrir certos problemas quando o motorhome já está na sua garagem.

Você já comprou um motorhome ou trailer usado?

Algum problema só apareceu depois da compra? Conte sua experiência nos comentários. Ela pode ajudar quem está avaliando seu primeiro veículo recreativo.

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